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Médico alerta para que cristãos não “espiritualizem” a depressão e recomenda tratamento

O médico Rodrigo Assunção, já conhecido no Youtube pela publicação de vídeos onde comenta aspectos da saúde mental humana associados à vida religiosa, publicou recentemente outro vídeo onde fala sobre um tema cada vez mais comum, também, entre os cristãos, que é a depressão.

“Tenho percebido também que a depressão não tem atingido somente os membros da igreja, mas também vários líderes têm sido acometidos por ela. A doença não tem processo seletivo, ou seja, não escolhe posição social, hierarquia ou tipo de atividade que a pessoa executa”, disse Rodrigo em uma matéria escrita para o Gospel Geral.

O médico frisou que a depressão é um “distúrbio afetivo” e disse ser imprescindível o acompanhamento médico para o diagnóstico e tratamento adequado. Ainda segundo Rodrigo, medicamentos antidepressivos “não viciam”:

“A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado, apenas lembrando, as medicações antidepressivas não viciam”, disse ele.

Não há consenso em saúde mental sobre o que é a depressão:

Segundo a OMS, a depressão no mundo aumentou 18% em 10 anos. Na América Latina, o Brasil aparece seguido de Cuba (5,5%) e Paraguai (5,2%). Apesar dos números, no entanto, a depressão não é um conceito unânime acerca da saúde mental, não havendo também consenso sobre causas e formas do seu tratamento.


Não são todos os autores que reconhecem a depressão como um distúrbio no sentido patológico, por exemplo, como escreveu Rodrigo. Tal concepção é fruto do modelo biomédico de saúde, motivo pelo qual Assunção, provavelmente, atribui ao “médico” a função de diagnosticar e tratar algo que, na verdade, é o psicólogo (e não o médico) o profissional mais adequado para identificação e tratamento correto desse conflito.

Nem mesmo a concepção da depressão como “doença” ou “transtorno de humor” é um consenso. O uso desses termos também são frutos da herança cultural psiquiátrica, baseada em classificações diagnósticas do comportamento humano iniciada em 1904 com o médico Emil Kraepelin.

Há autores que argumentam que a depressão é, na verdade, um subproduto da cultura vigente, onde os seres humanos são afetados pelo estilo de vida que estabelecem para si em dado contexto. Para tal concepção, também vista como “culturalista”, tais alterações do estado de humor, portanto, seriam uma consequência de fatores externos ao sujeito e não a sua causa primária.

Allan V. Horwitz e Jerome C. Wakefield, por exemplo, autores da obra “Tristeza Perdida – Como a psiquiatria transformou a depressão em moda” (2010), argumentam que há muito mais diagnósticos errados sobre a depressão do que corretos. Isso, segundo o autores, se deve a confusão feita entre ao que chamam de “tristeza profunda” e depressão. Para eles, há também mais interesses comerciais motivados pela indústria farmacêutica e uma formação universitária inadequada do que a compreensão correta do que seria a “depressão”, de fato.

O psicólogo e psiquiatra Alexandre Keusen, comentando o aumento da depressão no Brasil em uma matéria para a agência EFE, esse entendimento é reforçado: “Hoje, as pessoas, em geral, querem respostas imediatas. O organismo fica sobrecarregado e, consequentemente, existem mais pessoas ansiosas”, disse ele, enfatizando o estilo de vida atual com fator desencadeante dos sintomas depressivos.

O vício em medicamentos antidepressivos
Para o médico Rodrigo Assunção:

“É importante destacar que depressão não se cura apenas com presentes e com viagens, ela precisa ser diagnosticada e devidamente tratada. Sempre tenho orientado meus pacientes sobre a importância de Deus em nossa vida e que as medicações são importantes para o tratamento”.

Assunção ressalta que o uso de medicamentos deve ser administrado de forma “adequada”, embora o mesmo não reconheça que esses fármacos possam causar “vício”, ou dependência. Aqui, temos outro impasse acadêmico, começando pelo conceito de dependência.

Para o psicólogo americano Bruce Alexander, que pesquisou a relação entre o consumo de drogas e cultura na obra “A Globalização do Vício: um estudo sobre a pobreza de espírito”, a dependência química está profundamente vinculada a uma condição de sofrimento social, e ela não diz respeito apenas às drogas ilícitas, mas também aos fármacos.

Em outras palavras, muito mais do que a fórmula química de um entorpecente, o fator principal para uma relação de dependência com uma droga, seja ela lícita (um medicamento, por exemplo) ou não, é o sofrimento afetivo pelo qual passa uma pessoa.

Isto é, se o fator emocional desencadeante do sofrimento (depressão) for de origem social (relações familiares, amorosas, profissionais ou mesmo espirituais), como é na maioria das vezes, e este não for solucionado, por exemplo, através de acompanhamento psicoterapêutico (com psicólogos), a utilização do medicamento além de não resolver o problema, poderá servir como forma de mascarar a sua verdadeira necessidade de enfrentamento.

Neste caso, a dependência não é apenas química, mas principalmente afetiva. Essa realidade é facilmente observada por inúmeros psicólogos clínicos em seus consultórios, onde o processo de “desmame” do medicamento é, muitas vezes, difícil do ponto de vista emocional, havendo relatos de clientes que dizem fazer uso de antidepressivos mesmo sem a sua necessidade.

Por fim, em todo caso, a fé em Deus é indispensável na luta contra a depressão (ou tristeza profunda), mesmo quando as causas não são de ordem espiritual. Neste sentido, vale muito a pena a orientação de Rodrigo Assunção:

“Não deixe de descansar, tirar férias, viajar, ter momentos de descontração e estar com os seus familiares, ações como estas são preventivas contra este mal. São coisas simples, mas que vão ajudar a evitar um esgotamento físico e psicológico. E, se perceber os sintomas, não deixe de procurar um médico ou psicólogo para ter um diagnóstico correto. Saiba que, aquilo que Deus reservou pra sua vida, será seu”.

Fonte: + Gospel


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