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Arqueologia Bíblica comemora os 10 anos das escavações em Magdala

Um dos mais importantes sítios arqueológicos dos últimos 50 anos fica em Magdala, em Israel, onde provavelmente viveu Maria Madalena. Para a arqueologia bíblica, as descobertas têm sido essenciais para compreender como era o cotidiano dos cristãos no século I.

Há 10 anos, a arqueóloga e diretora Marcela Zapata Meza, deu início ao Projeto Arqueológico Magdala – um dos mais importantes sítios arqueológicos para os estudos do judaísmo e do Cristianismo na Galileia, região localizada no norte de Israel. A arqueóloga conta que, durante as extensas escavações com sua equipe e mais de 700 voluntários de todo o mundo, foram feitas muitas descobertas interessantes.

Sinagoga Magdala

Descoberta pela Autoridade de Antiguidades de Israel, em agosto de 2009. É uma sinagoga muito especial, já que a “Pedra Magdala” foi descoberta em seu interior, sendo uma alusão ao Templo de Jerusalém. Estando em Magdala (assentamento do século I), às margens do mar da Galileia, é muito provável que Jesus tenha pregado lá, embora não haja evidências arqueológicas para confirmação.

Tanques de purificação

A importância aos rituais do judaísmo, na cidade de Magdala, se evidencia através dos “tanques de purificação” que foram encontrados. “Os tanques usavam água corrente de alguma fonte local e não água de chuva, o que nos faz entender o termo ‘águas vivas’ mencionado na Bíblia Sagrada”, disse o arqueólogo Rodrigo Silva.

Inúmeros registros e trabalhos de conservação, restauração e manutenção foram realizados com o apoio de institutos e universidades. “Graças a essas obras, hoje sabemos que o assentamento de Magdala foi fundado entre 120 a 67 a.C., às margens do mar da Galileia”, comentou Marcela Zapata.

Segundo a arqueóloga, o levante judeu contra os romanos (67 d.C.), ocorreu na época de máximo crescimento urbano em Magdala, quando as cidades de Jotapata e Gamla foram destruídas. “Após a destruição do Templo (70 d.C.) também ocorreram modificações arquitetônicas em decorrência das mudanças sociais e culturais”, revelou.

Sobre o nome da cidade “Magdala”
O nome Magdala pode ter duas origens, segundo o doutor em arqueologia bíblica, Rodrigo Silva. “Pode vir do aramaico magdalah que significa ‘grandioso’ ou, literalmente, ‘grande lugar’, mas pode vir do hebraico maghdal que significa ‘torre’ ou ‘farol’”, disse.

A região de Magdala era conhecida como o local onde se salgava o peixe. “Logo, é de se presumir que havia uma grande indústria pesqueira ali, que era uma fonte de renda próspera”, disse o arqueólogo. É dentro desse contexto que devemos entender a promessa de Jesus: “Eu farei de vocês pescadores de homens”.

Importância do sítio arqueológico em Magdala
É provável que as primeiras comunidades cristãs andaram pelas ruas da cidade de Magdala. Existe uma corrente forte de pesquisadores que acreditam que a arqueologia está oferecendo as evidências que mostram a veracidade do Novo Testamento, como um documento histórico e não um escrito para fortalecer uma ideologia ou para criar um movimento político. Segundo Marcela “a história e a arqueologia sempre andam de mãos dadas”.

Maria Madalena foi uma prostituta?
Fontes escritas costumam afirmar que Maria Madalena nasceu e viveu em Magdala. Se for verdade, é muito possível que ela tenha se encontrado com Jesus, pela primeira vez, nesta cidade. Sobre a ideia de ela ter sido uma prostituta, é mais provável que seja uma lenda.

“Não temos comprovações históricas, muito menos arqueológicas. Mas, eu não a imagino como uma prostituta e sim uma protagonista. Naquela época, as mulheres não se destacavam e, como ela se destacou, isso pode tê-la feito sofrer muito. E quando ela conheceu Jesus teve a vida transformada”, observou.

 
“Ela foi sim, uma mulher capaz de confrontar as mulheres e os homens de sua época para mostrar que a vida tinha um sentido maior, valor e dignidade. Ela queria seguir a Jesus, acompanhá-lo e estar perto dele nos momentos difíceis”, sublinhou.

“Penso nela como uma mulher sofredora, que teve dentro de si suas dores e confusões na vida espiritual. Quando ela teve um encontro com Cristo, ele lhe ofereceu transformação e a fez reviver, a fim de esquecer o passado”, frisou.

Marcela também sugere que Maria Madalena poderia ter pertencido a uma família com possibilidades econômicas, com condições de suprir todas as suas necessidades.

Paixão pela Bíblia e arqueologia
Marcela Zapata Meza disse que seu maior sonho, desde os oito anos de idade, era ser egiptóloga e se dedicar à arqueologia bíblica. “Tive o privilégio de trabalhar no Egito e agora, estou vivendo esse sonho, em Israel”, compartilhou.

“Posso dizer que, estando em Magdala, sou uma arqueóloga muito feliz e gosto muito do meu trabalho. Em termos acadêmicos, é muito importante para mim, já que sou a primeira mexicana a liderar um projeto de arqueologia fora do meu país. É uma grande responsabilidade cumprir os padrões internacionais”, explicou.

 

Além disso, a arqueóloga lembra que grande parte das pessoas que passaram por Magdala são mulheres. “Dos quase mil voluntários que temos, mais da metade é de mulheres. Carregamos pedras e baldes pesados. Magdala mostra muito isso, que a mulher precisa ser reconhecida e respeitada, e também precisa ser entendida como pessoa, e ser levada a sério”, continuou.

Ao longo da história, as mulheres nem sempre tiveram essa possibilidade. “Estar em Magdala, como mulher, é muito representativo para mim. Temos um papel muito importante dentro da sociedade”, finalizou.

Fonte: Gospel Prime


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